sábado, 26 de novembro de 2011

A ATEMPORAL PANACEIA SOCIAL



        A percepção no homem é um instrumento natural que o impulsiona desde seus primeiros momentos. Algo sublime que Deus pôs em sua natureza para o instruir e sustentar enquanto a consciência não amadurece. Quando um objeto exterior estimu-la o órgão sensorial e suas terminações nervosas, mobiliza o cé-rebro, em seus processos, para imprimir as sensações de prazer ou dor na consciência. A mente mantém a atenção no objeto conforme o interesse despertado pelo desejo, gerando ação para manter uma sensação, se for agradável. A mente é inquieta e, constantemente, busca satisfação sensorial, tendo grande dificuldade de concentrar-se em um único estímulo. Costuma-se ensinar às crianças dizendo-lhes que sejam boas, que não matem, não roubem, não mintam etc. Falar basta? Ninguém ensina a não roubar, simplesmente dizendo à criança para não roubar. Tal aprendizado só ocorre quando ensinamos a criança a controlar a própria mente, inquieta e bombardeada de informações, ajudando-a a desenvolver o poder e disciplina sobre a vontade bem direcionada. Saciar imediatamente desejos alimentados, virou algo aceitável em tempos onde disciplina é interpretada como repressão. O ser humano inferior é um animal que busca ferozmente saciar seu desejo de satisfação, não importando nada, e só controlado pelo desenvolvimento da consciência. Isto não está restrito à classe social, nível cultural ou religiosidade. Não é difícil ver, dia-a-dia, pessoas cultas, religiosas, de toda classe, agindo irracionalmente para saciar seus desenfreados sentidos, sem bom senso, consciência e julgando-se acima do bem. Os exemplos chocam de tão comuns. Agressões físicas ou verbais por opção religiosa, futebol, relacionamento ou opinião, resultam do hábito de satisfação excessiva obtida pela atenção dada ao objeto da discussão, o qual é considerado tão prazeroso que abrir mão seria como perder um pedaço de si. O Buda pregava o equilíbrio, de uma forma que podemos entender, como: não darmos tão profunda atenção ao que é bom nem ao que consideramos ruim, sendo a sobriedade o caminho da imparcialidade sobre toda a realidade que nos apresenta a vida. Em algum lugar, entre a paixão pelas coisas e o ódio pelas diferenças, mora o amor ao próximo. Pessoas que cometem crimes deixam a falta de domínio sobre seus desejos tomar conta de suas ações e isso fica mais fácil com as drogas, por inibirem a consciência. Na antiguidade, os neófitos eram escolhidos, dentre o povo, por adeptos que obser-vavam sua capacidade de dominar-se. Amar ao próximo como a si é mais que desejar aos outros o que se deseja a si; é, em pri-meiro lugar, preocupar-se com as consequências de suas atitu-des sobre os demais. É preciso exercitar o domínio sobre si mes-mo. A razão controla a mente que controla os desejos e está li-gada ao principio de Humanidade que vem do íntimo (é o bem em nós). Isso é tão real que muitas são as sensações de culpa após atitudes tomadas com base em desejos egoístas e cuja re-petição se transforma em compulsão, quando não, em crimes. O Verdadeiro mal não está fora. A libertação pregada pelo Cristo e todos os Mestres de Luz é a salvação da escravidão da satisfa-ção cega dos desejos que transformam o homem em um ser ani-malizado e sucetível, afastando-o do espírito santo dentro de si. Ser filho de Deus é ser Senhor de seus atos. O filho do homem esta sujeito às fraquezas humanas. Não podemos saciar, à exaus-tão, todos os desejos que buscam satisfação. A consciência ama-durecida deve ser senhora dos sentidos. Todas as ações internas ou externas ocorrem quando a mente se une a um determinado órgão dos sentidos. Evitando que a mente se ligue a tais sensa-ções, podemos controlá-la e desviá-la do impulso que nos prende. O primeiro passo para a consciência espiritual é o auto conhecimento. Precisamos descobrir este mecanismo em nós mesmos para depois nos educarmos e limparmos nosso canal espiritual com atitudes inspiradas pelo espírito e não turvadas pelos prazeres excessivos. Partindo desse princípio elementar, daremos o primeiro passo para a cura individual e social, visto que todo mal inicia-se de um processo vicioso e excessivo de nossos próprios hábitos, mal conduzidos. A má interpretação da máxima, “Amar ao próximo como a ti mesmo”, vem causando muitos males e deformidades à moral humana, por aqueles que não sabem o verdadeiro sentido de amar, não amam a si mesmos, ou estão imbuídos de um amor doentio, vendo nisso um consentimento para imputar aos outros, um “amor-egoista”, concedido a si. Anterior a Jesus, no Talmud, encontramos uma máxima que diz, de forma inequívoca, que não devemos fazer ao nosso próximo as atrocidades que não desejamos que façam contra nós. Busquemos nos conhecer e façamos uma sondagem honesta ao nosso coração para conhecermos nossas fraquezas. Tomemos cuidado para não cometermos atrocidades, por nos apoiarmos em valores errados e permissivos, que impedem a visão do bom senso e da ética, requeridos, pois o pior mal é aquele que enraizado no coração do egoísta acaba sendo confundido e difundido com um grande gesto de amor.
                                                              Ricardo Pontes Ramos